História

A editora organismo surge, em 2013, com dois propósitos inaugurais:

a) construir um espaço de diálogo entre as diferentes linhas ético-estéticas na literatura da Bahia e do Brasil, por meio da Revista organismo;
b) publicar a coleção “novos autores”, voltada para poetas inéditos com propostas estéticas atualizadas com as diversas linhas de produção textual da contemporaneidade. Nesta coleção, todos os autores devem ser radicados na Bahia.

Os dois projetos seguem com bastante êxito: a coleção implica num conceito de livro que busca encarar de forma inventiva as questões contemporâneas em torno de sua produção, desde a já antiga falácia sobre o fim do livro, diante das novas possibilidades digitais de edição, até a negação do livro como mero depositório de conteúdo.

Para nós, esta coleção não se trata de acreditar que o livro de celulose acabará para caber em um celular, mas também, não se trata de manter o livro como mero repositório textual. Propomos então uma espécie de edição que é ao mesmo tempo crítica e inventiva, e que faz o livro significar – desde a cor da capa até o número das páginas, nos índices, nas dobras, tudo deve produzir signo, não apenas recepcioná-los.

O conceito do livro deve aparecer no projeto gráfico, e assim tem sido durante toda a coleção, que tem Diego Ribeiro como designer. Esta proposta de edição não visa apenas intervir na discussão do livro, mas antes, e principalmente, estimular, na dimensão local, sobretudo, a própria áurea de inventividade e criatividade, nos procedimentos literários.

Dar, enfim, um aspecto mais marcado de contemporaneidade ao nosso cenário, que já tem poetas contemporâneos de grande destaque, como Guellwar Adum, Alex Simões, Lívia Natália e Kátia Borges.

Sabíamos que havia mais autores contemporâneos inéditos e de muito talento na Bahia, e para eles foi criada a coleção. Iniciada com a publicação do livro Leitura neon-reciclada, de Cazzo Fontoura, inscrito sem ressalvas na dicção das textualidades pós-modernas; teve sequência com Amardilha, de Fernanda Querino, trazendo em uma voz feminina leituras contemporâneas sobre o amor, em poemas pop-concretos; posteriormente o livro Alguma poesia alguma, de Geraldo Figueiredo, construído a partir de uma poética da precariedade, crônicas de ausência, na quais a falta é o signo central, isso num apuro formal e inventivo refinadíssimo bem ao estilo de Maria Carolina de Jesus; a coleção segue com a publicação do livro de Robson Poeta Durap, Argumentos para o espanto, no qual o autor desenvolve em uma linha (des)fronteiriça entre rap e poema, um jogo inventivo de criação rítmico-verbal, propondo a noção de rap-síntese.

Já no final de 2017, é lançado Palavra de osso / osso da palavra, de Carlos Arouca, com uma poesia plasticamente bonita, o poeta discute o amor, a partir de atravessamentos de sua masculinidade, nos permitindo pensar como essa subjetividade negra e masculina ama nesses tempos de descolonização subjetiva e epistêmica. Já por sua vez a Revista Organismo tem o propósito de trançar e estimular o diálogo entre as diferentes cenas da literatura brasileira contemporânea, a partir do seu lócus de edição que é a Bahia. A revista estreou em 2015, e lançou, no dia 18 de janeiro de 2018, o terceiro e quarto volumes. Cada um desses números da Organismo tem curadoria diferente, e a cada edição, dois poetas e/ou críticos de literatura organizam a publicação.

Essa diversidade de agentes possibilita uma cartografia mais ampla da poesia contemporânea na Bahia e no Brasil. A revista é estruturada de forma que todas as páginas sejam destacáveis, assim, cada leitor pode à sua vontade reeditar os números, ou a coleção inteira.

Esse gesto, de reedição pelo leitor, visa estimular e popularizar a compreensão do leitor com crítico, atualizando de forma radical a edição da revista com as discussões sobre releituras do cânone e formação leitora.

Em 2019, os projetos seguem somando mais edições da revista organismo, que ganhará ao menos mais quatro números organizados por Conceição Evaristo e Lívia Natália, Ricardo Aleixo e Evanilson Gonçalves e Marília Garcia e Rita Santana, todas e todos poetas conhecidos e reconhecidos no cenário nacional e internacional da poesia contemporânea.

A editora organismo empreende, também, a abertura de uma coleção de literatura contemporânea brasileira, talvez a primeira coleção dessa natureza editada a partir do Nordeste. A coleção foi aberta, em finais de 2018, por mais um livro de Alex Simões, com posfácio de Alan da Rosa, e orelha de Ricardo Aleixo, e será seguido por livros de poetas de diversas regiões do Brasil.

Em 2018, sentimos a necessidade de ampliar o escopo editorial com o qual vínhamos trabalhando até então e inauguramos o selo Segundo Selo, que se dedica tanto à publicação de literatura como de teoria e crítica de maneira geral, mas tendo como linha editorial de base a produção e circulação de trabalhos que tenham a democracia e a diversidade como princípios constitutivos.

Esse selo, à medida que amplia o espaço de publicação, mantém a organismo editora fiel a sua proposta inicial de priorizar a publicação de poesia, e mais esparsamente para a prosa contemporânea. Além das coleções descritas anteriormente, abrimos pela Segundo Selo a coleção Mulheres Negras Escritoras, que se destina a publicar apenas mulheres negras nos diversos gêneros textuais.

A coleção conta com coordenação, conselho editorial e equipe técnica composta apenas por mulheres negras, e busca cumprir uma lacuna no mercado editorial brasileiro, que é oportunizar a publicação da textualidade negro- feminina de forma profissional e sem autofinanciamento. Outra coleção aberta pela Segundo Selo busca possibilitar um espaço de publicação para pesquisadores iniciantes, que desenvolveram trabalhos consistentes no início de sua carreira acadêmica.

As publicações dessa linha deverão ser originalmente monografias e trabalhos de conclusão de curso, trazendo à visibilidade uma série de trabalhos de qualidade, que ficam, muitas vezes, esquecidos nos seus respectivos campos de saber, por terem sido trabalhos iniciais da carreira dos pesquisadores. O trabalho desenvolvido pelas editoras na produção das coleções e da revista é uma tentativa de somar esforços junto a diversas outras iniciativas que vêm buscando solidificar uma cena literária de força na Bahia, no Nordeste, no Brasil, na afrodiáspora.

Nosso intuito é fomentar o trânsito e o debate entre as diferentes textualidades, pôr a produção local em diálogo com o nacional e o diaspórico, e produzir uma literatura e uma crítica antenadas com as questões éticas, étnicas e estéticas das nossas múltiplas contemporaneidades, nos diversos campos de saber das humanidades.

 

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