nenhuma palavra de amor – de Odailta Alves
24 de outubro de 2020
Combo – O olho se afoga/Mãos Paralelas + Axéconchego – Frantz Fannon e Cuti
11 de novembro de 2020

Axéconchego

– Cuti

R$47,00

Desde “Poemas da Carapinha” (1978), até este “Axéconchego

em face do fuzuê”, Cuti assumiu o compromisso de produzir uma literatura empenhada em combater e desmontar as estruturas coloniais de nossas vidas, mas não a partir de um denuncismo repetitivo e retórico, que, por vezes, atravessa nossa produção contemporânea. Em sua obra, as dimensões ética, estética e histórica se imbricam. Cuti compreendeu, desde o início, que o
racismo se estruturou a partir do uso da força como linguagem, produzindo um imaginário e um psiquismo feridos de morte. Nesse sentido, a literatura foi convocada a inscrever a luta pela humanidade e cidadania em uma empreitada de inversão dessa equação, produzindo uma textualidade que explorasse o potencial transformador da linguagem. Seu trabalho literário segue a tradição da arte negra na diáspora e se faz um projeto intelectual de debate, tensionamento e direcionamento da luta antirracista no Brasil. A separação entre o artista e o intelectual, que por vezes insiste em aparecer como
um fantasma na crítica brasileira, insistindo na mofada concepção da expressão estética destinada a emocionar e a intelectual vinculada ao pensamento crítico, é esvaziada pelo escritor. Sua obra poética é um robusto projeto intelectual, junto ao seu teatro, sua prosa e sua produção ensaística. É assim, também, neste “Axéconchego”. O livro é dividido em quatro partes que nos propõem diálogo e enfrentamento. Exposto de maneira breve, esse itinerário pode
ser esboçado assim: primeiro, ele demonstra a continuidade dos
processos coloniais do racismo e suas estruturas de violência nos planos material e subjetivo. Em seguida, dialoga com a lição fanoniana, na qual a perspectiva histórica é a única possível para subsidiar a emancipação negra, alertando para a necessidade de se combater o “fé-natismo”, enquanto valor que desresponsabiliza o indivíduo. Na sequência, chama a atenção para as
armadilhas dos likes motivados, nas redes sociais, por aparições esvaziadas de sentido coletivo, através dos quais se “enganará a verdadeira sede de ser”. Por fim, Cuti retoma a dimensão afetiva como um dos fundamentos da luta e parte constitutiva do processo de reconstrução da humanidade. Essa última parte
do livro se conecta às três antecedentes de forma liminar, pois nos impõe reconhecer o imbricamento entre a luta política e a realização amorosa: “só nasce o amor / se a liberdade nasceu”. A dimensão afetiva aparece, então, como um lugar onde a engrenagem colonial que nos atravessa precisa ser desfeita por um investimento libertário. “Axéconchego” é um diálogo entre política e subjetividade, apontando para a urgência de a luta coletiva buscar a consciência, o amor e a liberdade.

Jorge Augusto
Editor
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Descrição

OBSERVAÇÃO: Livro em pré-venda. Envio a partir de 15/12/2020.

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